A otimização dos regimes de imunoterapia, quer através do espaçamento entre administrações, quer através do ajuste posológico baseado no peso corporal, esteve no centro da reflexão partilhada por Alícia Guadalupe Oliveira, oncologista da ULS Alentejo Central, durante o Congresso da ESMO. A especialista analisou os resultados do ensaio clínico MOIO, focado na desescalada terapêutica em doentes estáveis, e comentou a evidência de vida real apresentada em dois posters portugueses sobre a comparação entre dose fixa e dose calculada pelo peso, alertando para a necessidade de salvaguardar a eficácia clínica face às pressões de sustentabilidade económica. Assista à entrevista.
A definição do melhor momento e da melhor estratégia para a integração da imunoterapia nos estadios precoces do cancro do pulmão de não pequenas células (CPNPC) esteve em destaque no congresso da ESMO. Daniela Cardoso, pneumologista no IPO de Lisboa, comentou os dados exploratórios do ensaio KN-671 em contexto neoadjuvante/perioperatório e os resultados de sobrevida global do ensaio PEARLS/KN-091 em adjuvância, sublinhando os desafios na seleção de biomarcadores preditivos de resposta e o impacto destas abordagens na prática clínica. Assista à entrevista.
O ritmo dos trabalhos intensifica-se em Madrid, com o Congresso da ESMO a entrar no cerne da discussão clínica e da apresentação de ensaios com impacto direto na prática médica. Entre os momentos de maior afluência no programa científico, destacam-se as sessões, apresentações de pósters, simpósios satélite e sessões presidenciais dedicados aos mais recentes avanços na área da Oncologia e à evolução das estratégias terapêuticas dirigidas a múltiplos tipos de tumores. Percorra a galeria e acompanhe o Congresso em imagens.
O Congresso da ESMO consolida-se anualmente como o grande ponto de encontro global para a Oncologia, onde se debatem os avanços que moldam o futuro da especialidade e que influenciam o financiamento de novas terapêuticas. José Dinis Silva, diretor do Serviço de Oncologia Médica do IPO do Porto, fez um balanço do evento, destacando a revolução digital em curso, a excelência da produção científica nacional e a urgência dos hospitais portugueses assumirem um papel proativo na investigação clínica internacional. Segundo o especialista, é nestes palcos mundiais que se traçam novos rumos e se destacam "novidades e avanços reais nos tratamentos com impacto nos doentes". Assista à entrevista.
Um estudo pragmático conduzido pelo grupo de tumores do aparelho digestivo baixo da ULS São José avaliou a eficácia de terapêutica em contexto pré-operatório em doentes com carcinoma colorretal localmente avançado e instabilidade de microssatélites. O autor do póster apresentado no Congresso da ESMO 2026, João Gramaça, especialista em Oncologia na mesma ULS, apresentou os resultados interinos do projeto, destacando uma taxa expressiva de 75% de respostas patológicas completas entre os doentes já operados, confirmando a robustez da imunoterapia em monoterapia na redução tumoral. Assista à entrevista.
A evolução terapêutica no cancro do pulmão esteve no centro do balanço traçado por António Araújo, diretor do Serviço de Oncologia na ULS Santo António, durante o Congresso da ESMO. O oncologista destacou como grande tendência global o aparecimento de anticorpos conjugados com fármacos (ADCs) desenhados para substituir ou superar a quimioterapia convencional, tanto no carcinoma do pulmão de não pequenas células (CPNPC) como no carcinoma de pequenas células (CPPC). O especialista confirmou a relevância dos dados apresentados na reunião magna europeia, com especial ênfase para o ensaio de fase 3 OptiTROP-Lung06 (LBA66) e para as novas abordagens dirigidas que estão a renovar o prognóstico dos doentes. Assista à entrevista.
Os dados finais de sobrevida global do ensaio de fase III OptiTROP-Lung04, apresentados no Congresso da ESMO, comprovaram o benefício clínico de um inovador anticorpo conjugado com fármaco (ADC) em doentes com cancro do pulmão de não pequenas células e mutação EGFR após progressão a terapêutica dirigida. Daniela Madama, especialista em Pneumologia na ULS Coimbra, analisou os resultados do estudo, que avaliou esta nova abordagem frente à quimioterapia convencional em segunda linha, destacando o impacto prognóstico dos dados obtidos e o papel central da Medicina de Precisão. Assista à entrevista.
“Chemobrain” in testicular germ cell tumour survivors: A retrospective cohort study é o trabalho preliminar desenvolvido na ULS Santo António, com destaque no Congresso da ESMO 2026, que incidiu sobre um tema ainda pouco explorado na sobrevivência oncológica: as alterações cognitivas após quimioterapia em homens com tumores germinativos do testículo. Luísa Soares Miranda, primeira autora do estudo, reflete que estas alterações, que abrangem queixas de memória e dificuldades na capacidade de concentração, ganham particular relevo nesta patologia devido ao perfil dos doentes. Assista à entrevista.
Um estudo multicêntrico de âmbito nacional iniciado no Hospital Beatriz Ângelo e alargado a outros oito hospitais portugueses, analisou a perspetiva de 887 profissionais de saúde sobre a tomada de decisão na Nutrição em contexto de fim de vida. Intitulado de Structure of decision-making in end-of-life nutrition: Multicenter analysis from the CARE study, o póster foi presentado no congresso da ESMO por Bruno Silva, da ULS Loures-Odivelas e primeiro autor do estudo. Assista à entrevista.
Com o olhar posto nos próximos anos da Oncologia, abriu portas em Madrid o Congresso da ESMO 2026. O encontro anual reúne os principais líderes do setor para discutir os dados clínicos mais recentes e acelerar a integração responsável de ferramentas digitais e Inteligência Artificial, sem perder de vista a economia da saúde e a melhoria contínua da qualidade de vida dos doentes. Percorra a galeria de imagens e fique a par dos primeiros momentos do evento major da Oncologia europeia.
A ULS de Gaia/Espinho foi reconhecida pela European Society for Medical Oncology (ESMO) como Centro Designado de Oncologia e Cuidados Paliativos Integrados. Em entrevista, Andreia Capela, especialista em Oncologia na ULS Gaia/Espinho, destaca o valor deste reconhecimento institucional e defende que o acompanhamento do doente oncológico deve ser articulado desde o primeiro instante, assegurando maior conforto, qualidade e serenidade num processo exigente. Assista à entrevista.
Joana Marinho, especialista em Oncologia na ULS Gaia/Espinho, destacou os avanços terapêuticos apresentados no cancro da bexiga músculo-invasivo (CBMI). A especialista analisou os dados do ensaio KEYNOTE-905, a pertinência de biomarcadores como o ctDNA e o crescimento multidisciplinar do próprio congresso. Assista à entrevista.